Mesquinhos, egoístas e pensando única e exclusivamente em seus próprios bolsos e na permanência no poder, através do leilão de cargos públicos. É dessa forma que se pode classificar os políticos brasileiros que defendem ou se engajaram na criação de dois novos, e miseráveis Estados, no Norte do Brasil. A divisão do Pará em três não tem nenhum interesse econômico e muito menos afetará de forma positiva os moradores daquela unidade da Federação.
Atualmente o Estado do Pará possui uma previsão de receita orçamentária, para 2011, R$ 12,4 bilhões. Os investimentos projetados para este ano são de apenas R$ 200 milhões. Ou seja, apenas 1,61% da receita prevista, equivalente a 0,4% de seu produto interno bruto. O Pará irá gastar 48% de sua receita tributária prevista para 2011 com pessoal. São R$ 6 bilhões.
Em um comparativo feito pelo Guia Melhores e Maiores, da Revista Exame, uma empresa cujas vendas sejam equivalentes à receita do Estado do Pará, gasta apenas 2,75% com salários e encargos. Portanto, o modelo atual já demonstra que o Estado já possui um número de empregos muito acima da sua capacidade.
O Pará possui uma área com 1,24 milhões de quilômetros quadrados e 144 municípios, com uma população de 7,32 milhões de habitantes. A densidade demográfica atual é de 5,86 habitantes por quilômetro quadrado. Segundo o último dado referente à renda per capita, o valor é de R$ 4.992,00
NOVOS ESTADOS – O que os políticos mau caráter querem é apenas dividir o Estado em três, para com isso aumentar suas fontes de receitas pessoais e, assim, se enriquecerem ainda mais. Ou seja, cada Estado elege três senadores. Assim, serão seis novos senadores, com inúmeros assessores e verbas de auxílio, além da própria remuneração de senador.
Atualmente, o Pará conta com 17 deputados federais. Essa quantidade não deve ser muito elevada, porque cada um dos três Estados que resultarão da divisão deverão contar com um mínimo de seis deputados federais. No entanto, a despesa será acrescida com a criação de duas novas Assembléias Legislativas.
A Assembléia Legislativa do Pará possui 41 deputados estaduais. Cada um tem dezenas de assessores e funcionários, além dos servidores da própria Assembléia. Um maná para os políticos empregarem seus cabos eleitorais, usando o dinheiro público. Fora os órgãos burocráticos de “controle” (esses que fecham os olhos para a corrupção generalizada), como é o Tribunal de Contas.
Também haverá outras despesas, como dois novos Ministério Público Estadual, além de dois novos Poderes Judiciários estaduais. Cada um desses terá centenas e até milhares de servidores, todos “mamando” na magra teta do que restará do “antigo” Pará. Curiosamente, não se prevê aumento de receita, nem a ida de grandes empreendimentos econômicos para o Pará ou para Carajás ou Tapajós. Por sinal, Tapajós tende a ser o Estado mais miserável do Brasil.
Além da despesa inútil com os políticos, ainda serão criados dois novos Governos. Um para o Estado de Carajás e outro para o Estado de Tapajós. Serão salários para governador, vice-governador, cargos comissionados, além de concursos (quase sempre de cartas marcadas) para empregar outros milhares que vão viver às custas do dinheiro público.
O Estado do Carajás vai nascer com a mina de minério da Vale dentro de sua área territorial, localizada no município de Parauapebas. A mina possui reservas de minério de ferro de alto teor, de aproximadamente 2,1 bilhões de toneladas. O transporte do minério é feito através da Estrada de Ferro Carajás (EFC). Além do ferro, na mina são extraídos manganês, cobre, ouro e minérios raros.
Está faltando entidades de classe e até o Ministério Público barrar a pretensão de enriquecimento pessoal dos políticos, que querem lucrar com essa divisão desnecessária. Demonstrando lucidez, o deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP) classificou de “aberração” a criação dos novos Estados. Ele alertou: “Estamos criando mais gastos públicos”.
Madeira, ainda acrescentou: “Os Estados não são viáveis economicamente e quem vai bancar será a União.” Ele apontou como aumento de despesas a necessidade de montar as estruturas como o palácio do governo, tribunais de contas e Assembléias Legislativas.
TAPAJÓS-CARAJÁS – Tapajós deverá ficar na lista de Estado mais pobre do Brasil. Fica no Oeste do Pará e terá 27 municípios, com uma área total de 736,73 mil quilômetros quadrados. Tapajós ficará com 16% da população do Pará, equivalente a 1,23 milhões de habitantes. A densidade demográfica será de 1,95 habitantes por quilômetro quadrado.
Carajás ficará com 23% da população de Carajás, ou seja: 1,66 milhões de habitantes. A densidade demográfica será de 5,61 habitantes por quilômetro quadrado, com uma área total de 296,62 mil quilômetros quadrados. Serão 39 municípios. Carajás está situado no Sul e Sudeste do Pará, onde se encontra ainda a represa de Tucuruí e a Serra dos Carajás. O Pará minguará e sem a riqueza de Carajás tende a disputador com Tapajós e o Piauí, para ser um dos Estados mais pobres do Brasil. Será que o miserável orçamento do atual Pará vai dar para tanta gente “comer” ele?





