
Às escondidas para a maioria dos candidatos inscritos, e que pagaram as taxas por acreditar que o concurso para preenchimento de 28 vagas de jornalistas na Assembléia Legislativa do Espírito Santo era sério, o Legislativo acabou por cancelar o edital. A explicação dada era de que a prova aplicada no primeiro dia, de Língua Portuguesa, era a mesma utilizada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Nesse caso, a suspeita era apenas de que alguns privilegiados tinham essa informação e que haviam decorado as respostas. No entanto, os poucos que foram à essa prova suspeita já foram privilegiados, por terem tido a informação de que haveria a prova. A maioria não foi informada e, muito menos, recebeu no endereço citado por ocasião do pagamento da taxa de inscrição (R$ 100,00) de que haveria prova.
Nesse mesmo dia, 31 de agosto, o Ministério Público Estadual foi notificado através de denúncia formal, de que o tal concurso era uma farsa. O objetivo seria apenas o de aprovar, em cargo público vitalício, alguns privilegiados. Os poucos que compareceram aos dois locais onde a prova foi aplicada, foram unânimes em afirmar que as cadeiras das salas estavam vazias.
Ninguém soube explicar a ausência dos candidatos, que não foram informados sobre a realização das provas. O próprio site da Assembléia Legislativa (http://www.al.es.gov.br) não trazia nenhuma referência de que as provas do concurso seriam aplicadas. Nem no dia 31 de agosto e nem no dia seguinte, 1º de setembro.
Por sinal, na segunda-feira seguinte à realização da farsa, o site ainda ignorava a existência de concurso público naquela casa de leis. O link da página inicial sobre o item “concurso público” apenas direcionava o interessado às informações antigas. Entre essas a de que havia um edital para a seleção de candidatos. Ou, mais grave ainda, de que o concurso estava suspenso, conforme o Ato Nº 1052/2007.
Essa suspensão se devia a problemas detectados pelo Tribunal de Contas. No entanto, a Assembléia somente veio comentar o fato, publicamente, após a imprensa de Vitória (ES) ter revelado a suspensão das provas por suspeição de fraude.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo, Suzana Tatagiba, foi procurada e saiu em defesa da Assembléia. Inicialmente chegou afirmar que”todos” foram comunicados sobre a prova. Depois de constatar que essa afirmação não era verdadeira, preferiu dizer que havia uma comissão acompanhando o caso, como o próprio sindicato a uma ONG denominada de Transparência Capixaba. As duas instituições, no entanto, não viram com profundidade que o concurso estava caminhando para uma farsa. Afinal, foi suspenso apenas por uma suspeita de favorecimento com provas já divulgadas.




